Hackathon · 2026
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Um calendário que escuta o perigo.
O VIAS é um produto de proteção contra o feminicídio com fachada de calendário menstrual. Atuei como Product Manager e UX/UI: da leitura de dado público à arquitetura da solução que levou o time ao 1º lugar no Hackathon do Web Summit Rio 2026.
01 — Problema
O socorro visível aumenta o risco.
O ponto de partida foi o Dossiê Mulher do ISP-RJ, não uma tecnologia em busca de uso. 56,1% das vítimas nunca tinham feito denúncia. Quase dois terços foram mortas dentro da própria residência.
O agressor controla a rotina e o celular. Ligação, atalho de pânico e qualquer app cuja categoria já entrega a intenção denunciam a vítima antes de protegê-la. O canal tradicional de socorro, nesse contexto, é parte do problema.
Dado de vitimização citado no discovery: Dossiê Mulher, ISP-RJ.
02 — Decisão
A proteção não pode parecer proteção.
A fachada precisava ser um aplicativo crível no dia a dia, útil sozinho, sem sinal de socorro na superfície. A aposta foi um calendário de ciclo menstrual. Por baixo, camadas para cadastrar contatos e parâmetros, com o mínimo de fricção.
A aposta
Experiência cotidiana na frente. Configuração de proteção em camadas que não se anunciam. A classificação de risco roda no aparelho. Só o evento crítico sai dali, com a localização, para o Disque Denúncia RJ e para a rede cadastrada.
Fora do escopo
Botão de pânico visível. App categorizado como segurança. Envio contínuo de áudio para a nuvem. Qualquer um desses caminhos entregaria a intenção de quem mais não pode vê-la.
03 — Execução
Três camadas do mesmo produto.
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Produto
O problema foi definido pelo dado de vitimização. A IA existe para o momento em que a pessoa não pode agir, não como funcionalidade de vitrine.
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02
Experiência
Interface de calendário, familiar e íntima. A configuração de proteção fica oculta. A experiência certa é a que uma fiscalização do celular não revela.
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03
Engenharia
Áudio processado no dispositivo. O modelo reconhece padrões críticos — grito, ameaça verbal, objeto quebrando. O disparo é silencioso e leva um diagnóstico do evento com a coordenada.
Do som ao disparo.
O aplicativo é escrito em C++ para caber num celular comum e processar o áudio ali mesmo. Quem escuta é um modelo em TensorFlow. O treino juntou duas matérias: o AudioSet, do Google Research, um corpus público de eventos sonoros, e gravações feitas no FL Studio.
Quando o padrão é crítico, o áudio não sai cru. O Whisper transcreve o trecho. O Phi-3, um modelo de linguagem pequeno, lê essa descrição e interpreta o que aconteceu. O que deixa o aparelho é o diagnóstico do evento, com a coordenada, não uma transmissão contínua.
A mensagem passa pela Zenvia, o intermediador de mensageria, até o Disque Denúncia RJ e a rede cadastrada. O canal é silencioso. A fachada continua sendo um calendário.
- C++O aplicativo, leve o bastante para a escuta caber no aparelho.
- TensorFlowRoda o modelo que classifica o áudio.
- FL StudioGrava o conteúdo usado no treinamento.
- AudioSetCorpus do Google Research para treinar o reconhecimento.
- WhisperTranscreve o trecho crítico.
- Phi-3Interpreta a descrição do áudio.
- ZenviaIntermedia a mensagem até a rede de socorro.
04 — Impacto
Do dado público ao pitch.
- 1ºlugar no Hackathon do Web Summit Rio 2026
- 56,1%das vítimas sem denúncia prévia, dado que definiu o problema
- Senac RJpalestra sobre os bastidores do produto depois da premiação